A Ciência e a Religião

26-02-2010
No dia 26 de Fevereiro decorreu no Centro Ciência viva da Floresta mais um Café Ciência. Desta vez, o tema em debate foi “A Ciência e a Religião”.
A coordenar o debate, o prof. Daniel Catarino apresentou os convidados: Doutores Miguel Panão (Doutorado e Investigador do Instituto Superior Técnico, professor convidado da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica e colaborador do seu centro de Estudos de Filosofia, vencedor, em 2008, do prémio de Melhor Jovem Investigador da Universidade Técnica de Lisboa) e Marta Panão (Doutorada e ligada ao Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia).
O casal Panão começou por afirmar que, muito embora fizessem uma abordagem científica como investigadores -- daí o recurso à Biologia e à Química, passando pela Matemática e pela Física Quântica, pela Filosofia, Cosmologia, Teologia, entre outras ciências e saberes, com referência a inúmeros trabalhos e pensadores nessas áreas -- pretendiam, acima de tudo, partilhar o caminho de uma experiência de vida, condividir reflexões e nada impor , muito menos convencer alguém. Assim, numa abordagem muito envolvente e interpessoal, com vivo debate, foram abordadas questões como:
Como interagem fé e ciência? É possível considerar Deus na Ciência? A oposição religião-ciência não será uma distorção historicamente ignorante da verdade, como afirma Ana Gray? Poderá haver uma leitura teológica em diálogo com a ciência, de acordo com o princípio da não contradição, segundo o qual a unidade da verdade é um postulado da razão humana? Se o universo evolui por acaso, qual o papel da acção de Deus? O literalismo bíblico, o criacionismo, têm qualquer suporte científico e teológico? O Big Bang é a prova científica da existência de Deus? Pode-se acreditar em criação e evolução contínua? Pode-se pensar em Deus numa era da Tecnologia? Poderão os milagres ser uma violação ou suspensão das leis naturais? Porque existe alguma coisa em vez de nada? Qual a relação entre crente e não crente? Haverá respostas?
Durante quase três horas, o diálogo foi vivo e gratificante, o ambiente foi de partilha de inquietações e experiências, tendo-se gerado uma atmosfera de proximidade, de abertura ao outro, de respeito e valorização, entre crentes e não crentes presentes no debate. E essa foi a experiência, a resposta e o contributo mais valioso deste Café Ciência.
Texto por Daniel Catarino











