Exposição "A Campanha da Resina" em Ponte de Lima

26-05-2010
A exposição temática “A Campanha da Resina” foi inaugurada dia 26 de Maio em Ponte de Lima, localidade situada no Distrito de Viana do Castelo, considerada como a mais antiga vila de Portugal.
A mostra está patente ao público até final de Setembro no Centro de Interpretação Ambiental da Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, organismo coordenado pelo Gabinete Técnico Florestal daquele Município minhoto, e pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 9 às 12.30 Horas e das 14 às 17.30 Horas e sábados, domingos e feriados das 14.30 às 17.30 Horas.
Refira-se a propósito que esta exposição foi idealizada e concebida originalmente para o Centro Ciência Viva da Floresta (CCVF) pelo Professor Paulo Santiago para comemorar o primeiro aniversário daquele Centro e nos dezoito meses em que ali esteve exposta foi apreciada por mais de dez mil visitantes.
Os responsáveis pelo Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Viana do Castelo (CMIA) manifestaram entretanto interesse na sua apresentação ao público e de 16 de Janeiro a 1 de Maio do corrente ano a “A Campanha da Resina” esteve ali em exibição onde foi visionada por mais de mil e duzentos visitantes.
Esta exposição retrata fundamentalmente as diversas fases da resinagem que constituem o processo de extracção da gema dos pinheiros bravos e representou uma das principais actividades económicas do mundo rural ao longo do século XX, principalmente nas regiões Centro e Norte de Portugal.
A parte de transformação da resina está actualmente a ser documentada em fotografia e vídeo, uma vez que já se encontra representada na exposição através de amostras e de alguns equipamentos gentilmente cedidos pela empresa Vieirifabril, Lda., sedeada no Concelho de Pombal. Na cerimónia de inauguração estiveram presentes diversas individualidades, a comunicação social regional, a Vereadora da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Eng. Estela Almeida, a responsável pelo Centro de Interpretação Ambiental, Eng. Susana Pereira, a Prof. Madalena Catarino e a Eng. Edite Fernandes do Centro Ciência Viva da Floresta, entre outros convidados.
Na sua intervenção, o autor da exposição referiu a importância desta actividade para a economia nacional até ao inicio dos anos 90 do século passado em primeiro lugar como fonte empregadora, depois como geradora de riqueza para os proprietários dos pinhais, intermediários e industriais que procediam à sua transformação enquanto matéria-prima para múltiplas aplicações fabris desde perfumes e sabonetes a tintas e vernizes, para além da protecção à floresta possibilitada pela ocupação dos solos por parte dos resineiros na época de maior calor e consequente vigilância do território contra os incêndios e a fúria dos incendiários.
Hoje, infelizmente, o quadro do sector resineiro em Portugal é muito preocupante porque continua a existir procura dos derivados da resina por parte de empresas nacionais e estrangeiras devido à sua grande qualidade mas o mercado chinês rebentou com a rede de extracção e consequente transformação a nível nacional, tornando-se mais barato comprar-lhes a resina em estado bruto para a transformar nas nossas fábricas vendendo-a em seguida de novo para o estrangeiro, enquanto a industria nacional que utiliza os derivados da resina importa esses mesmos derivados (pez e aguarrás) directamente da China para os aplicar nos seus produtos, culpando a economia de mercado por ser a grande responsável pelo estado calamitoso a que chegou este que outrora foi tão importante sector de exploração florestal e principal fonte de riqueza para as populações rurais do Centro e Norte de Portugal.
A finalizar, Paulo Santiago referiu que o seu trabalho não procura apenas a relação das pessoas com o passado nem a exploração sentimental do fenómeno “saudade”, antes pretende tornar o seu estudo num relato histórico e cultural sistematizado daquela actividade florestal tão importante para os portugueses do interior do Portugal profundo e rural, eternamente esquecido pelos historiadores nos seus relatos e pelo poder politico na sua acção, de forma a torná-lo num ensaio de âmbito nacional, assim como o material adquirido e consequentemente inventariado, passível de dar origem a um futuro pólo de museologia industrial que perpetue condignamente esta apaixonante actividade hoje praticamente extinta, ligado se possível for, ao Centro Ciência Viva da Floresta.
JCP





